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Quando alguém adoece, o que passam a significar os objetos?

25 de ago. de 2024
2 min de leitura

minha casa em um domingo nublado no rio de janeiro.

Na última semana meu namorado passou por um procedimento cirúrgico. Tudo corre bem, mas o tempo entre a entrada no hospital e a alta hospitalar é gelado e solitário.


O show começa pra valer no pós operatório quando a comida, o sono, o banho e o carinho das pessoas significam mais do que uma mera condição de saúde básica e passam a ser essencialmente valiosos.

Um café da manhã é um banquete, uma ida à feira um respiro e o bolo e flores que amigos enviam significam abraços.


Quando se adoece algumas atividades básicas ficam reprimidas e ao contrário do que um dia eu pensei os objetos passam a ter mais vida, como se a memória se agarrasse na materialidade de um bule e a atenção plena dá às boas vindas através disso.


A consciência sobre a finitude vive à espreita e eu que sei bem disso tento não me esquivar e corro em sua direção. Ironicamente, parece que quanto mais eu corro, mais ela corre de mim. É um jogo que não se joga em plena luz do dia ou em domingos ensolarados. É o tipo de coisa que vem durante o banho ou de madrugada no elevador.


Nesse momento a cidade do Rio de Janeiro que arde e é ligeira fica quieta e silenciosa. Assim são os dias nublados e chuvosos.


Olho para minha estante de louças (foto acima) e percebo o quanto de vida existe ali.

Lembro dos jantares de aniversário, os cafés da manhã que engatilharam atrasos, os copos que se quebraram em festas ou alguma pressa qualquer do dia a dia, os talheres que faltam e devem ter ido pro mesmo universo junto com um pé de meia pós lavagem de máquina, os pratos que ganhei, os que garimpei, os primeiros que foram de supermercado e eu ainda os guardo.


Tudo que eu acredito é que esses objetos são um fio de memória e que eles em algum momento devem partir pra novas histórias, porque eu quem vou, eles ficam. E a festa sempre continua (e os processos judiciais de sucessão e brigas patrimoniais também, hahahah). e o que tenho hoje é a oportunidade de contar a minha história. Experimenta você também!


Não existe cenário controlável quando se empreende. Por exemplo, as férias podem se tornar uma massa cinzenta de trabalho em dobro. Recentemente fiz isso e foi horrível! onde mora o consolo, então? não ter parado seria o início de um colapso.

A fidelidade ao script que inventamos pra nossa vida nas redes sociais tem nos adoecido e deduzo que a criatividade mora exatamente no oposto disso. Criatividade pede infidelidade!


Quando parei e respirei nasceu a luminária CC01.

Preservar a saúde pra criar é ter terreno sempre fértil. Veja bem que isso é diferente de entusiasmo, porque isso é visita breve e o que faz um negócio girar é uma mistura de teimosia com propósito.


Por isso, amanhã, excepcionalmente, eu descanso e devo ir à livraria, tomar um longo café da manhã sem culpa e volto semana que vem com mais uma coleção fresquinha e cheia de objetos pra vocês contarem o conto de vocês através deles.


Beijo, cami!



 
 
 

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